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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Expressão escrita

Na idade pré-escolar é fundamental a descoberta da funcionalidade da escrita, pois é a partir dessa descoberta que emerge na criança o desejo de querer aprender a ler e a escrever. A criança apropria-se das várias funções que a linguagem escrita pode desempenhar e vai percebendo-se dos diversos suportes escritos, que por sua vez, detêm funções, estruturas e conteúdos específicos.


O facto de a criança presenciar actos de leitura e de escrita, permite-lhe desenvolver uma perspectiva desses mesmos processos, além de desenvolver uma disposição e capacidades para realizar acontecimentos nesse âmbito. (Mata, 2008)

A partir das questões e hipóteses colocadas sobre a escrita, as crianças começam, também elas, a produzir as suas escritas, através da imitação de outras já elaboradas ou até mesmo por criação própria. Não obstante, é fulcral identificar e compreender as concepções que as crianças detêm sobre a linguagem escrita, para que o adulto saiba agir correctamente, de modo a proporcionar às crianças uma boa aprendizagem da leitura e da escrita.

É importante que o educador tenha uma preocupação relativamente às experiências que proporciona à criança e no seu contacto contextualizado com a escrita. Assim, um conhecimento diversificado, por parte da criança, acerca das funções da escrita é adquirido através de actividades lúdicas ou de lazer que o educador proporciona à mesma. (Mata, 2008)

Neste sentido, uma das finalidades do jardim-de-infância centra-se na promoção de um envolvimento precoce significativo das crianças com a escrita, não implicando o ensino formal da leitura mas sim, o contacto das crianças com a expressão escrita nos contextos pré-escolares, onde passam antes dos primeiros anos de escolaridade. Assim, as crianças têm oportunidades de exploração, utilização, experimentação, compreensão e descoberta da escrita, melhorando o seu conhecimento sobre as características da mesma. (Mata, 2008)

A responsabilidade do educador de infância torna-se indiscutível face à prevenção contra o insucesso escolar na área da língua escrita, pelo que é essencial facilitar a emergência da linguagem escrita. (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 1997)

O documento que apresentaremos de seguida, contém actividades acerca desta tema, sendo que as mesmas foram planificadas por nós.




Bem Hajam!

Ana e Inês

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Bibliografia consultada:
MATA, Lourdes (2008). A descoberta da escrita - textos de apoio para Educadores de Infância. Lisboa: Ministério da Educação

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (1997). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Lisboa

Compreensão e Produção Oral

É de extrema importância “Criar um clima de comunicação em que a linguagem do educador, ou seja, a maneira como fala e se exprime, constitua um modelo para a interacção e a aprendizagem das crianças.” (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 1997)
A linguagem oral compreende duas dimensões, a expressão e a compreensão, surgindo articuladas e inseparáveis, num processo de comunicação. Assim, a criança utiliza a linguagem como um jogo, ou seja, pelo prazer que tem nos sons que produz, e utiliza-a como um modo de se exprimir, como meio de comunicação.
As necessidades que a criança apresenta para comunicar deverão ser colmatadas a partir da vertente expressiva, de modo a que esta vertente aumente o seu léxico e as suas estruturas da língua. Neste sentido, o desenvolvimento da expressão oral deverá surgir com a realização de práticas que abarquem a descrição e narração de situações, bem como situações de diálogo, permitindo à criança interacções verbais essenciais ao desenvolvimento da comunicação.
A atitude do educador será fulcral nestes momentos de aprendizagem, pois deverá, simultaneamente, transmitir a resposta mais correcta e não inibir a criança de comunicar as suas experiências, através da correcção ou, até mesmo, da recusa das expressões linguísticas da mesma.
A criança, quando pretende comunicar, necessita da linguagem e de organizar as suas experiências pessoais, de forma a poder expressar aquilo que realmente quer. A criança selecciona, de entre o seu léxico, as palavras que quer utilizar para expressar as suas vontades.
O facto de a criança integrar-se num contexto diferente daquele a que está habituada contacta com um meio linguístico diferente, assimilando novas situações e novo vocabulário cada vez mais rico, e também pelas interacções que estabelece com os diferentes indivíduos que nele se inserem. O que é importante de referir relaciona-se com o que é realmente essencial a criança desenvolver: uma maior precisão e clareza, aquando da nomeação do que a rodeia e poder associar “um significante ao seu significado-referente”. Posto isto, a criança alcançará uma “representação-estruturada” do mundo e do seu significado.
Todo o trabalho que é desenvolvido no jardim-de-infância relacionado com estas actividades linguísticas deve ser bastante rico, de forma a colmatar a ausência, por vezes, de condições do meio envolvente da criança. Assim, deverá proporcionar vivências que ampliem o léxico das crianças, e em situações muito diversas. Assim, é importante partir do vocabulário que a criança já detém e, posteriormente, criar novas experiências em que a mesma participe activamente, enriquecendo o seu vocabulário.
Como motivação e aprendizagem que retiramos deste trabalho, enquanto futuras profissionais neste âmbito, prende-se com a criação de um clima estimulante e envolvente para a comunicação, transmitindo à criança um sentimento de segurança e disposição para se exprimir, aquando das suas experiências.
Como objectivo fundamental para estas actividades, destacamos, o desenvolvimento, por parte das crianças, do “domínio suficiente dos recursos orais da sua própria língua para comunicar, expressar-se e organizar as suas experiências.”
A compreensão e a expressão, no decorrer das nossas actividades vão-se intercalando, numa relação de complementaridade e enriquecimento para as crianças.


De seguida, apresentaremos as planificações realizadas por nós de actividades que visam o desenvolvimento da compreensão e produção oral.




Bem hajam!

Ana e Inês

Consciência Fonológica

A definição de consciência fonológica é complexa, uma vez que abrange habilidades que vão desde a simples percepção global do tamanho das palavras e/ou das suas semelhanças fonológicas, até à segmentação e manipulação de sílabas e fonemas. Ainda assim, é possível defini-la como “a capacidade de identificar e de manipular as unidades do oral.”. (FREITAS et al, 2007)

Ao contrário do que sucede aquando da aquisição da fala, a aprendizagem da leitura e da escrita não é inata e natural. Estas competências necessitam ser trabalhadas e estimuladas, sendo que este processo parte de uma fase inicial, onde se promove a reflexão acerca da oralidade e o treino da capacidade de segmentar a cadeia de fala. Assim, é essencial, desde cedo, a promoção, por parte da escola, para a sensibilidade aos sons da fala, ou seja aos aspectos fónicos da língua, de modo a que a criança desenvolva a sua consciência fonológica.

O trabalho e treino ao nível da consciência fonológica têm como objectivo realizar uma aprendizagem da leitura e da escrita bem sucedida, uma vez que esta depende directamente do desempenho da criança ao nível da oralidade. Assim é possível prevenir o insucesso escolar, reduzindo as dificuldades sentidas ao nível da leitura e da escrita. No entanto, e como em qualquer treino, é fulcral que seja tomada uma atitude disciplinada através da sistematicidade e da consistência na metodologia aplicada para o desenvolvimento desta competência.

A consciência fonológica da criança manifesta-se através da aptidão da criança para isolar uma palavra num enunciado oral e a aptidão de identificação das unidades fonológicas no interior da palavra. Esta competência ramifica-se em três tipos:

“  ao isolar sílabas, a criança revela consciência silábica;

   ao isolar unidades dentro da sílaba, revela consciência intrassilábica;

   ao isolar sons da fala, revela consciência fonémica ou segmental. “

(FREITAS et al, 2007)

É vulgar, na nossa língua, a divisão errada das palavras dentro de um enunciado oral. Tal facto dá origem a enunciados escritos igualmente errados, revelando, deste modo dificuldades na identificação das fronteiras de palavras. Apesar de muitos destes casos serem praticamente inexistentes aquando a entrada no 1º ciclo, não deixa de ser urgente o seu trabalho neste nível de escolaridade.

Uma criança, falante de português, está apta para decompor uma palavra em sílabas, mesmo antes de saber que o faz. Assim é possível afirmar que a consciência silábica é a primeira a iniciar o seu desenvolvimento, uma vez que as primeiras tentativas de escrita revelam uma natureza intuitiva para esta unidade.

A consciência intrassilábica, assim como a fonémica, revelam um desenvolvimento mais demorado, sendo ambas quase inexistentes aquando a entrada para a escola, uma vez que a sua sensibilidade para determinados aspectos característicos destas consciências não está, ainda, desenvolvida.

Tendo em conta o que a criança já “traz” para a escola, é fundamental que o seu treino se inicie por aquilo em que se encontra mais desenvolvida, abrindo caminho para outros níveis. Ou seja, seguindo esta ordem, a consciência silábica, consciência intrassilábica e consciência fonémica.

Existem inúmeros tipos de exercícios passíveis de serem realizados pelas crianças, com o objectivo de desenvolver a consciência fonológica. No documento que se segue deixamos três planificações de tarefas realizadas por nós. Note-se que apesar de serem de nossa autoria foram baseadas em tarefas já existentes de outros autores.







Relacionando a nossa prática pedagógica com estas actividades, e em particular com a actividade denominada ‘Dominó em sílabas’, o público-alvo para quem se destina esta actividade poderá ser mais baixo, ou seja, de acordo com as características da turma onde estivemos no contexto de 1º Ciclo, esta turma apresenta competências ao nível da consciência silábica e ao nível da leitura que lhes permite desenvolver, sem grandes dificuldades, tal actividade.


Desta situação retirámos uma grande aprendizagem, pois é na prática que conseguimos aperceber-nos e adequarmos os materiais que realizamos, sendo que para nós era uma grande dificuldade tentar direccionar esta ou aquela actividade para um público mais específico.




A todos um bem haja,

Ana e Inês

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FREITAS, Maria João; ALVES, Dina; COSTA, Teresa (2007). O conhecimento da Língua: Desenvolver a consciência fonológica. PNEP.